Religiosidade
Está circulando nas redes sociais postagens que questionam as religiões, em virtude da prática de alguns indivíduos criminosos que se “escudaram” nas suas, para praticarem os seus crimes.
Grande equívoco cometem aqueles que o fazem. As mais diversas religiões nada têm a ver com as práticas de seus “ditos” seguidores. O caráter de cada um deles, sim, determina suas práticas.
Criminosos sempre usaram o nome de Deus para justificarem suas práticas. A história mostra isso muito bem e os exemplos são inúmeros. Lá pelos idos anos 90, tive acesso e li uma obra psicografada pelo espírito Manoel Philomeno de Miranda, intitulada Trilhas da Libertação, onde o autor apresenta os motivos de queda moral dos religiosos e acreditei fantástico o apontamento: poder, dinheiro, vícios, sexo e vaidade.
Considerando que a proposta de todas as religiões é que os indivíduos que a seguem, encontrem ali ensinamentos sagrados que sirvam de norteadores de suas práticas na vida cotidiana, para caminharem em direção à evolução; verificamos que muitos são os que, nesse caminhar se perdem e permitem, por falta de vigilância aos indicadores sagrados, que seus desejos, os mais primitivos, norteem suas ações.
As vezes esse indivíduo inicia sua caminhada com humildade, boas intensões e fé inabalável. Após algum tempo começa a impactar, com suas práticas, a vida de muitas outras pessoas ou milhares delas, torna-se exemplo e ganha fama por sua liderança. Aí mora o perigo...
Uma horda de seguidores começa a idolatrar e citar tal pessoa como exemplo. Nada errado até aqui, desde que o indivíduo idolatrado tenha consciência que ele/ela terá como retorno disso o que for de seu merecimento em aprendizagem, evolução e paz interior, apenas isso.
Muitos ao perceberem a fama, inflam seus egos e começam a acreditar que são deus e que podem tudo, incluindo a impunidade. Esquecem que a religiosidade é composta por numerosos aspectos da atividade religiosa, dedicação e crença e que não o inclui como deidade.
Pessoalmente acredito que tudo quanto passamos na vida é resultado de nossa fé (o acreditar), confiança (a certeza) e merecimento (a colheita). E o resultado, a colheita, é certo. Não falha. É o que nos diz a lei universal de ação e reação. Jamais alguém planta rosa para colher pimenta e vice versa. Mas há quem goste e quem não goste tanto de rosa, quanto de pimenta. Simples assim.
Meus queridos, aproveito a possibilidade de acesso aos senhores para convidá-los a refletirem comigo acerca dessas questões e proponho aqui que deixemos de simplificar as coisas. Deixemos de fazermos comentários rasos e generalistas.
Ao fazê-lo acabamos por contribuir com a divulgação e repetição e alastramento de conceito de religião que não cabe a ela, a religião. Religião é a religação do homem com Deus, diz o dicionário. Pessoalmente discordo. Penso que religião é a prática que nos torna conscientes da extensão que somos de Deus. E quem é de Deus ama o seu irmão, que também o é, e assim sendo, não aduba a disseminação do que prejudica a este irmão.
Deixemos o papel de divulgar, julgar, condenar e castigar a quem de direito: imprensa, polícia, justiça e penitenciárias. Precisamos perceber que essas divulgações equivocadas acabam por entregar em mãos dos ateus ou preconceituosos o chicote para nos açoitarem e às nossas religiões, que nada fizeram.
A religiosidade equivocada não merece atenção é o que penso. Deus, a espiritualização, a nossa evolução pessoal, aprimoramento moral e crença, sim, merecem nosso foco.
Para encerrar quero abraçar fraternalmente a todos os Padres, Pastores, Iyalorixás, Babalorixás, Rabinos, Ministros, Monges, Mestres etc. que fazem de suas vidas a dedicação à evolução própria e daqueles que os seguem a orientação. A crença é para os que creem.
A autora Elza Ramos é publicitária, pedagoga e iyalorixá